A biodiversidade da floresta Amazônica encontra-se ameaçada devido à taxas de extinção de espécies no presente sem precedentes na história da evolução. As florestas tropicais são os ecossistemas mais biodiversos do Planeta apresentado uma variedade de espécies ainda incalculada, mas estimada na casa dos milhões, e contém cerca de 2/3 das espécies de plantas conhecidas no mundo. O acervo de germoplasma vegetal que a floresta encerra é talvez o seu patrimônio mais valioso. É principalmente na agricultura e para o avanço das drogas medicinais que o patrimônio genético das plantas é de suma importância para o homem. Apesar de haver uma clara conexão histórica entre a utilização da biodiversidade e o processo de desenvolvimento, a economia de mercado não é capaz de dar o devido valor a este atributo e nem mesmo aos produtos e serviços florestais já conhecidos. Neste trabalho ficou evidenciado que, não só os produtos já comercializados, como a madeira, possuem valor de mercado muito abaixo de seu valor real, como os produtos extrativos, tidos como secundários, possuem potencial econômico ainda pouco explorado. A valoração dos usos indiretos dos produtos e serviços florestais, tais como os de natureza ecológica (a manutenção dos ciclos hidrológicos, a regularização do clima, a conservação do solo) é também essencial para a compreensão de seu papel na manutenção da economia. As possíveis descobertas de usos do germoplasma vegetal na agricultura e de substâncias com utilidade medicinal precisam ser equacionadas, pois representam um argumento poderoso a favor da conservação, e sua perda será irreversível. Há um crescente reconhecimento, mesmo por parte dos conservacionistas mais ferrenhos, de que os recursos naturais, as florestas inclusive, precisam justificar economicamente a sua existência. Este trabalho procurou evidenciar a crescente literatura sobre a importância da valoração econômica apropriada dos recursos florestais e da floresta em si. Em termos teóricos, foi feita uma exposição sobre como é tratada a questão dos recursos naturais na teoria econômica do meio ambiente e como a biodiversidade se insere neste contexto. Além da abordagem neoclássica, e como esta trata a questão da irreversibilidade, foram discutidas algumas ideias inovadoras dentro da corrente de Economia Ecológica. Foi discutida também a questão da apropriação dos benefícios da conservação pelos diferentes atores na sociedade, uma vez que esses benefícios se estendem até o nível global. Em conclusão, foram abordadas questões de ordem prática, tais como políticas públicas para a conservação e o manejo por usos múltiplos. A questão da expansão hidrelétrica na região Amazônica e como esta é tratada pelo Setor Elétrico também esbarra na problemática da utilização da biodiversidade e precisa ser equacionada neste contexto. Finalmente, foram feitas propostas para prioridades de pesquisa no campo da economia da conservação da diversidade biológica.
A QUESTÃO DA BIODIVERSIDADE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA REGIÃO AMAZÔNICA
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