O aumento da participação de fontes de geração renovável variável, como solar e eólica, na matriz elétrica brasileira tem intensificado a necessidade de maior flexibilidade operativa no SIN. Nesse cenário, as usinas hidrelétricas ganham relevância como provedoras dessa flexibilidade, sobretudo em momentos de variações acentuadas na carga líquida. Contudo, em razão do elevado tempo computacional, o Operador Nacional do Sistema Elétrico ainda não utiliza oficialmente a representação do unit commitment hidráulico do modelo DESSEM para a Programação Diária da Operação, o que pode gerar despachos operacionais infactíveis em tempo real. Este trabalho propõe aprimorar o despacho hidráulico do DESSEM, por meio da introdução de restrições horárias de variação de geração hidráulica (RVGH), baseadas na análise estatística de 23 anos de histórico da variação horária de geração de 74 usinas. Desse histórico de variação horária de geração, foram calculados os percentis P50, P75, P90 e P99, sendo este último adotado para formular as RVGH implementadas no modelo. A metodologia foi aplicada em 36 dias típicos de 2024, contemplando diferentes perfis de carga e sazonalidades hidrológicas. Os resultados demonstram que a inclusão das RVGH melhora a aderência entre os despachos do DESSEM e os ajustes realizados na etapa Pós-DESSEM, mitigando a sub-representação da geração hidráulica despachada pelo modelo. O estudo destaca a importância de incorporar abordagens baseadas em dados históricos na formulação de restrições operativas, promovendo maior realismo físico e viabilidade computacional para a otimização de sistemas hidrotérmicos complexos como o SIN.
FLEXIBILIDADE OPERATIVA DE USINAS HIDRELÉTRICAS NO SISTEMA INTERLIGADO NACIONAL: ANÁLISE DA REPRESENTAÇÃO DA LIMITAÇÃO NAS RAMPAS DE GERAÇÃO HIDRÁULICA
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