O Mecanismo de Ajuste de Carbono de Fronteira (CBAM) é um instrumento em elaboração pela União Europeia (UE) que aplica preços de carbono a bens importados de setores intensivos em energia, com o objetivo de reduzir o vazamento de carbono, atingir metas climáticas e incentivar a adoção de processos produtivos de baixo carbono em outros países. O Brasil, cuja segunda maior parceira comercial é a UE, ainda não possui um sistema de precificação de carbono em operação e pode ser impactado caso outros países adotem seus próprios CBAMs. Nesse contexto, este estudo analisa os impactos econômicos do mecanismo sobre a economia brasileira, sobretudo em relação à potencial redução das exportações dos setores abrangidos.
Para tanto, foi utilizada a Matriz Insumo-Produto (MIP) brasileira atualizada para 2021, considerando dois cenários com duas tarifas distintas e as emissões de Escopo 1 e Escopos 1 e 2 combinados, a fim de estimar os efeitos sobre produção, emprego e renda. Os resultados indicam que, na atual configuração do CBAM, os impactos na economia brasileira são relativamente baixos, e as exportações teriam redução limitada, mesmo se todo o custo fosse integralmente internalizado ou parcialmente repassado pelos setores afetados. Além disso, o Brasil poderia obter vantagem se o Escopo 2 fosse considerado em todos os setores e se houvesse maior exportação de produtos de baixo carbono.