A transição para uma economia de baixo carbono implica transformações estruturais não apenas no sistema energético, mas também em sua base material. Tecnologias de baixo carbono demandam volumes crescentes de materiais críticos, tornando a descarbonização simultaneamente uma transição energética e material. Esta dissertação estima a demanda por materiais críticos associados ao cumprimento da segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira a partir do pós-processamento dos resultados do modelo nacional de Avaliação Integrada Brazilian Land-Use and Energy Systems (BLUES). A metodologia combina projeções de expansão tecnológica com intensidades materiais específicas para estimar a demanda incorporada em bens de capital do setor energético, com ênfase em transportes e na geração elétrica. Foram construídos três cenários contrastantes: Business as Usual (BAU), Disrupção Tecnológica (DT) e Restrição Material (RM), permitindo avaliar a sensibilidade da demanda material a diferentes trajetórias subtecnológicas. Os resultados indicam que a eletrificação do setor de transportes é o principal vetor de crescimento da demanda por materiais críticos, com destaque para lítio, níquel, grafite, manganês e cobre. Ademais, diferentes escolhas tecnológicas alteram significativamente o perfil, o volume e a criticidade da demanda. Ao “materializar” a NDC brasileira, o trabalho evidencia a importância de incorporar restrições materiais ao planejamento energético de longo prazo e contribui para o debate sobre segurança de suprimento e política industrial no contexto da transição energética.
MATERIALIZAÇÃO DA NDC BRASILEIRA: A DEMANDA POR MATERIAIS CRÍTICOS PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
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